Desconstruir a cultura de violência contra as mulheres na sociedade. Esse foi um dos principais objetivos da I Qualificação da Rede de Atenção às Mulheres em Situação de Violência realizada na semana passada, no auditório do Hospital Estadual Jayme Santos Neves, em Morada de Laranjeiras.

 O evento, que reuniu cerca de 300 pessoas, proporcionou aos participantes um momento de aprendizado sobre os serviços ofertados para acolhimento dos casos de violência e despertou para a necessidade do comprometimento de todos os departamentos da administração municipal, além do envolvimento da sociedade com campanhas de prevenção às agressões.

A secretária da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres (Seppom) Luciana Malini afirmou que é fundamental o conhecimento de todos quanto à existência de um serviço específico para o acolhimento dos casos de violência doméstica contra a mulher.

“Entretanto, o município e o Estado têm limites de atuação. A participação e a busca pelo envolvimento da sociedade são determinantes para o fim da cultura da violência”, explicou Luciana.

Durante a qualificação, a socióloga Laudicéia Schuaba falou sobre a história da violência contra a mulher no Brasil até a conquista da Lei Maria da Penha. Já a a ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Iriny Lopes ressaltou que a Serra é o único município do Espírito Santo a ter uma secretaria exclusiva para tratar das mulheres.

“Isso mostra o compromisso e a atitude da municipalidade de enfrentamento da violência contra a mulher, o que impacta na qualidade de vida das famílias, devido à reprodução do problema para fora deste espaço doméstico”, destacou.

A capacitaçãoainda contou com palestra do advogado especializado em Direito Público, Direito Penal e Direito Processual Penal, Breno José Bermudes Brandão, que reafirmou a necessidade de permanente aprimoramento dos equipamentos públicos da Rede de Assistência à Mulher em Situação de Violência. “É fundamental a implementação de ações de combate por parte do Judiciário e da polícia na fiscalização das medidas protetivas, assim como a necessidade de envolver a sociedade e o ambiente escolar nesta luta permanente”, declarou.

Também fez parte da programação do evento, a participação de representantes do Centro de Atenção a Vítimas de Violência e Discriminação de Vitória (CAVVID), que destacaram o apoio psicossocial à mulher em situação de violência, e da feminista e coordenadora nacional da campanha “Quem Ama Abraça, Fazendo Escola”, Schuma Schumaher.

Texto: Djeisan Lettieri 
Fotos: Divulgação/PMS