Últimas Notícias
SERRA-ES
28 fevereiro 2021

O pior da onda de lama ainda está para chegar, alerta Defesa Civil

1_fhbgfhf-4039909

A enxurrada de lama que vazou das barragens que estouraram em Mariana, Minas Gerais, estava prevista para chegar ao Estado na madrugada desta terça (10), mas o que se viu no trecho do Rio Doce que corta o Espírito Santo foi apenas uma elevação do nível da água, que também ficou com aparência mais escura.
O nível do Rio Doce em Colatina chegou a subir cerca de um metro nesta terça, após a água liberada pela usina hidrelétrica de Mascarenhas, que fica entre Baixo Guandu e Colatina. A vazão, que começou na madrugada, teve o objetivo de conter a força da enxurrada de lama prevista para a região.
A expectativa da Defesa Civil Estadual, entretanto, é que o pior ainda está por vir. O coordenador adjunto do órgão, tenente-coronel Hessandro Vassoler, explica que, o que antes era uma “grande onda” de rejeitos, aos poucos foi se separando. “Temos agora dois fenômenos acontecendo: uma onda de cheia, seguindo na frente, e uma onda mais densa, de lama, vindo atrás”, explicou. Quando essa segunda onda chegar, o abastecimento em Baixo Guandu será interrompido.
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Baixo Guandu enviou uma expedição a Minas Gerais para coletar amostras da água que está descendo com a segunda enxurrada. A massa densa de lama foi encontrada pelos técnicos em Governador Valadares, a cerca de 200 quilômetros da divisa com o Espírito Santo.
As análises preliminares feitas no laboratório do SAAE verificaram um elevado nível de turbidez na água. O total de 81 mil partículas suspensas na água – por unidade de medida – é 13 vezes maior do que a capacidade que a autarquia consegue tratar.
“É uma lama com cheiro muito forte, impossível de tratar para consumo. Durante a coleta, vi muito peixe morto boiando no rio. Uma cena muito triste”, lamentou a laboratorista do Saae, Antônia Loss Venturini.
A previsão é de que essa segunda enxurrada chegue ao Estado entre sexta-feira e sábado (14).
A técnica em saúde pública Sanny Gabeira, enviada da Funasa a Baixo Guandu, destaca também que ainda são incertas as reais características com que essa segunda onda poluente vai chegar ao Espírito Santo. “A lama é mais pesada do que a água, ao longo do caminho, a lama vai ficando no fundo e a água vai ficando mais limpa. Não sabemos o nível de turbidez que vamos encontrar aqui”, explica.
Consumo viável
A Prefeitura de Baixo Guandu chegou a interromper o fornecimento de água na às 22 horas de terça-feira, assim que o nível do rio começou a subir, mas às 24 horas retomou o fornecimento assim que constatou que o tratamento da água para consumo humano continuava viável.
“Daqui para frente, vamos continuar monitorando a água constantemente, e interromper a captação assim que essa lama chegar no município”, afirma Luciano de Bem Magalhães, diretor do SAAE no município.
O Rio Doce chegou a subir um metro em alguns pontos depois da abertura da usina hidrelétrica de Mascarenhas, em Baixo Guandu
Laboratório vai analisar composição
Um lote das amostras coletadas pela expedição enviada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Baixo Guandu a Minas Gerais foi mandado para análise em um laboratório da Grande Vitória. A intenção é saber se nessa lama existem metais pesados ou outras substâncias nocivas à saúde humana e ao meio ambiente. A segunda enxurrada deve chegar ao Espírito Santo apenas entre sexta-feira e sábado.
“Ainda não sabemos o que continha nessa água no momento do rompimento das barragens. Com esses testes queremos preencher essa falta de informação. Tudo o que temos é o que vemos, uma água completamente turva”, aponta a técnica em saúde pública Sanny Gabeira, enviada da Funasa ao município de Baixo Guandu.
Fonte: Gazeta Online

PREVISÃO DO TEMPO

CUPOM DESCONTO