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SERRA-ES
1 março 2021

Nove cidade começam racionamento de água

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Antes era apenas um cenário de atenção, agora é de alerta diante do uso da água nas bacias hidrográficas do Estado. Dessa forma, a crise hídrica no Espírito Santo colocou 15 localidades de 13 cidades capixabas em estado extremamente crítico. Desses municípios, nove deles, localizados nas regiões Norte e Serrana do Estado, já estão sob racionamento de água: não há abastecimento de água no período noturno, das 19 horas às 6 horas.
“Em duas cidades, Ecoporanga e Fundão, 100% do fornecimento de água para a população está sendo realizado por meio de carro-pipa, somente uma vez por dia”, conta a presidente da Cesan, Denise Cadete.
Além do racionamento no abastecimento, por parte da Cesan, outras medidas foram tomadas diante a decretação de cenário de alerta no Estado. Regras de restrições e captações da água foram tomadas através de duas resoluções da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh).
Com isso, as nove cidades que estão sob racionamento de abastecimento também estão proibidas de captar água em qualquer horário, caso o uso não seja para o consumo humano. Aqueles que desobedecerem podem receber multa de R$ 268.710,00. Em caso de reincidência, o valor pode ser dobrado.
Além disso, uma outra resolução da Agerh limita a captação de recursos hídricos em todo o Estado. Entre as 5h e as 18h não se pode captar água em todo o território estadual, caso não seja destinada ao uso humano. O valor da multa, por dia, nesse caso, é de R$ 2.687,10.
Essas duas restrições serão adotadas por 15 dias. “Durante os próximos 15 dias, a situação dos municípios será permanentemente avaliada, podendo ocorrer mudanças”, disse o diretor de Planejamento e Gestão Hídrica da Agerh, Robson Monteiro.
A motivação das resoluções foi a constatação de que em 70% do Estado, em 2015, houve uma grande redução do volume de chuva esperado. Além disso, os principais rios do Estado apresentaram expressiva redução das vazões esperadas para o período como é o caso dos rios Santa Maria, Jucu, Doce e outros. “Ao longo da semana, novos municípios podem entrar na lista, e outros listados podem sair”.
Os setores da indústria e agricultura, responsáveis pelo consumo de 20% e 75% de água, respectivamente, sofreram recomendações, quanto à captação de água. Companhias de abastecimento, também, em relação, principalmente, ao abastecimento. E as prefeituras receberam a recomendação de adaptar seus códigos municipais de postura, multando os moradores quando houver o uso inadequado da água.
As medidas adotadas
– Anúncio do programa Águas e Paisagens, que vai possibilitar investimentos superiores a R$ 1 bilhão em saneamento básico, na ampliação da preservação e conservação das margens de rios e regiões de nascentes.
– Resolução da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) sobre obrigatoriedade do cadastramento de usuários de águas superficiais e subterrâneas
– Racioanamento do abastecimento de águas, por parte da Cesan, em nove cidades, que apresentam estado extremamente crítico.
– Implementação efetiva da outorga do uso da água. Início no primeiro semestre de 2016 pela Bacia do Rio Guandu: Afonso Cláudio, Baixo Guandu, Laranja da Terra e Brejetuba.
– Contratação do Plano Estadual de Recursos Hídricos.
– Conclusão dos Planos de Bacia e Enquadramento dos rios Benevente, Jucu e Santa Maria da Vitória.
– Contratação dos Planos de Bacia e Enquadramento dos demais Rios / bacias capixabas ( Rio Novo, Itapemirim, Itaúnas, São Mateus, Litoral Centro-Norte e Itabapoana).
– Definição do modelo de Agência de Bacias Hidrográficas. Início pela parte capixaba da Bacia do Rio Doce.
– Novo Plano de Comunicação com o slogan “Preservar água é responsabilidade de todos”.
– Realização do Encontro Estadual do Comitê das Bacias para melhor organização.
– Disponibilização de infraestrtura logística para o funcionamento das Secretarias Executivas dos Comitês das Bacias.
– Ampliação do Programa Reflorestar. Meta até 2018: 20 mil hectares.
– Desafio 20X20: compromisso para recuperação de 60 mil hectares de floresta.
– Implantação de 45 réguas limnimétricas – escala que permite observar o nível da superfície da água num rio.
Agricultura e indústria vão ter que economizar
As resoluções da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), divulgadas nesta segunda-feira (5) pelo Comitê Hídrico Governamental, trazem uma série de restrições quanto à captação de águas, bem como medidas a serem adotadas pelos setores da agricultura e indútrias. As resoluções serão publicadas no Diário Oficial desta terça-feira (6).
Para os empreendimentos industriais, a recomendação é de imediata adoção de medidas de reúso, reaproveitamento e reciclagem de água em suas unidades.
Aos responsáveis pelo licenciamento de atividades poluidoras, as recomendações são a ampliação do uso racional, o reúso e aproveitamento de águas residuais tratadas, bem como a conservação de água e solo pela recomposição florestal.
Já para a agricultura, as recomendações são direcionadas para as instituições de fomento ou de crédito agrícola. Elas devem suspender, imediatamente, e por período indeterminado, as operações para implantação de novos sistemas de irrigação ou para ampliação de sistemas já existentes.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Marcos Guerra, a contenção afetará os negócios, mas é necessária. “Vai impactar, mas se fizermos um trabalho de conscientização dá para sobreviver. O que não podemos fazer é apontar para determinadas indústrias para não criar vítimas no processo”.
Da mesma maneira pensa o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Faes), Júlio Rocha. Mas ele alerta: “O impacto vai ocasionar queda acentuada de produção, que vai provocar um reboliço na lei da oferta e da procura e os alimentos vão subir”.
Força-tarefa
O intervalo de mais de 18 meses sem a média de chuva esperada é considerado pelo governo o maior período de escassez do Estado nos últimos 40 anos. Uma força-tarefa formada por representantes dos Comitês de Bacias, órgãos do Estado e prefeituras irá fiscalizar o cumprimento das resoluções.
A Agerh não aponta alternativas para as indústrias e agricultores, a não ser se adequarem às restrições.
Recomendações
Indústrias
Imediata adoção de medidas de reúso, reaproveitamento e reciclagem de água em suas unidades.
Agricultura
As instituições de fomento ou de crédito agrícola devem suspender, imediatamente, e por período indeterminado, as operações para implantação de novos sistemas de irrigação ou para ampliação de sistemas já existentes.
Responsáveis pelo licenciamento das atividades poluidoras
Ampliação do uso racional, ao reúso e aproveitamento de águas residuais tratadas, e outras medidas.
Prefeituras
Alteração de seus códigos de postura, multando moradores em casos de desperdício de água como lavagem de calçadas, resfriamento de telhados, irrigação de gramado e jardins, dentre outros.
Cobrança a mais para usar água
A partir do primeiro semestre de 2016, será implementada, efetivamente, a outorga do uso da água, ou seja, será cobrado cerca de R$ 0,03 por m3 de água consumida, além do que já é pago pelo tratamento.
“A ação fará com que as pessoas se conscientizem em relação ao uso da água, mesmo que seja um valor pequeno”, disse o secretário de Estado de Meio Ambiente, Rodrigo Júdice.
A implementação começará pelas cidades abastecidas pela Bacia do Guandu: Laranja da Terra, Brejetuba, Afonso Cláudio e Baixo Guandu. “Uma família com 5 pessoas gasta em média 10 mil m3 de água, o que acrescentaria R$ 0,30 na conta final”, disse a presidente da Cesan, Denise Cadete.
O secretário de Estado de Agricultura, Octaciano Neto, defende que a escassez hídrica deve ser tratada com participação de todos. “Nesse caso, o dinheiro arrecadado será repassado para os Comitês das Bacias para investirem na conservação da bacia”, afirma.
Prefeituras aumentam fiscalização e multas
Apesar da recente recomendação da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) para que as prefeituras alterem seus códigos de postura e passem a multar moradores em casos de desperdício de água, alguns municípios da Grande Vitória garantem que as ações de fiscalização e conscientização já tiveram início há algum tempo.
Em Vila Velha, um decreto publicado em janeiro deste ano estabelece normas restritivas para o consumo doméstico e comercial da água, proibindo regagem de gramados e lavagem de vidraças, fachadas, veículos e muros com mangueira, além de umectação de telhados e de vias públicas.
“O atual Código Municipal de Posturas prevê notificação para quem for flagrado desperdiçando águas em vias públicas, como é o caso de águas de piscinas e mangueiras. A prefeitura irá analisar a recomendação feita pela Agerh, para melhor se adequar às mudanças”, informou Vila Velha em nota.
Uma lei criada este ano em Vitória prevê o emprego de multas contra quem desperdiçar, conforme explica o secretário de Meio Ambiente da Capital, Paulo Barbosa. A fiscalização é feita principalmente através de denúncias, que somaram 123 de janeiro à julho.
No entanto, Barbosa afirma que até agora nenhuma multa foi aplicada, já que após uma advertência, não houve reincidência dos fatos. Segundo o secretário, os atos de conscientização têm gerado efeitos positivos. “De julho até setembro, tivemos 17 denúncias”, pontua.
Já na Serra, as ações educativas são prioridade. “É feita a fiscalização de orientação sobre o uso consciente da água, com elaboração de cartilha distribuída em residências, escolas e comércios”, ressaltou a prefeitura.
Um decreto publicado em janeiro visa a reduzir o uso de água em prédios públicos, utilizar água de reúso para irrigação de áreas verdes, suspender o uso de chuveiros na orla e interromper a lavagem de veículos oficiais. Na sede da prefeitura, a economia chegou a 30%.
Grande Vitória em estado de alerta
Rio que abastece os municípios da Grande Vitória sofre com seca há quase um ano

Castigado pela seca que já dura quase um ano, o Rio Santa Maria da Vitória – um dos principais mananciais do Estado, responsável pelo abastecimento de boa parte da Grande Vitória – possui vazão atual de 3.316 litros por segundo, nível considerado abaixo do ponto crítico de 3.800 litros. Com isso, a possibilidade de que a escassez de chuvas se prolongue poderá deixar a população em estado de alerta.

Para auxiliar no abastecimento, a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) já utiliza a represa de Rio Bonito, antes destinada à geração de energia elétrica, para fornecer água à zona Norte de Vitória, Serra e Praia Grande, em Fundão, através do sistema do Rio Santa Maria. Segundo a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), a quantidade de água é suficiente para atender à população desses municípios até março de 2016, caso haja consumo consciente.
No entanto, o secretário de Meio Ambiente de Santa Maria de Jetibá, Rodrigo Berger, ressalta que a chuva ocorrida na cidade no mês passado não foi suficiente para restabelecer o nível do rio.
“Se não tivermos uma situação normal de chuva, com certeza vamos estar em situação de calamidade. Isso pode comprometer o abastecimento tanto de Santa Maria, como da Grande Vitória também.
Poluição
A situação do Rio Santa Maria da Vitória se agrava devido à poluição, já que metade das casas de Santa Maria de Jetibá não é ligada à estação de tratamento de esgoto local e parte dos dejetos é jogada diretamente no manancial ou em outros rios que nele deságuam, como o Rio São Luís, que corta a cidade.
A Cesan explicou que nos locais onde o serviço de tratamento de esgoto ainda não está disponível, os imóveis devem ter fossas.
Rio Jucu
Com 5.582 litros por segundo, a vazão do Rio Jucu, que também abastece a Grande Vitória, já chega bem próxima do nível crítico, de 5.292 litros.
Segundo o presidente do Comitê de Bacias do Rio Jucu, Hélio de Castro, ainda não falta água, mas a escassez prejudica os municípios ao entorno do rio, em especial os produtores de hortifruti e criadores de animais. “A escassez vai ter reflexo na atividade econômica da bacia, que vai ter que reduzir a produção”, pontua.
Carros-pipa em Santa Leopoldina
A crise hídrica e a consequente baixa do nível do Rio Santa Maria da Vitória tem afetado mais diretamente a vida dos moradores que habitam regiões mais altas, segundo o presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do rio, Roberto Dias Ribeiro.
“São locais geralmente abastecidos por nascentes que secaram, ou que são abastecidos por poços e, como o lençol abaixou demais, não há como puxar água”, explica.
No município de Santa Leopoldina, por exemplo, a prefeitura utilizou carros-pipa e distribuiu galões de água para abastecer a comunidade de Una de Santa Maria, onde 22 famílias não tinham mais água até para beber desde que o poço que utilizavam secou.
A mesma situação se repete em algumas partes do distrito de Mangaraí, diz o prefeito de Santa Leopoldina, Romero Luiz Endringer. Ele afirma que na comunidade Caioaba, grande produtora de inhame, alguns agricultores já abandonaram a lavoura.
“Mais de 80% do município é agrícola e não há mais como irrigar as lavouras. O nosso plano de contingência é baseado em enchentes e agora estamos vivendo o contrário”, lamenta.
Rio Doce: só 7 cm onde deveria ser 1,20 metro

O Rio Doce chegou ao nível crítico de 7 centímetros. O nível considerado normal é de 1,20 metro.

Em Colatina, Noroeste do Estado, já foi decretada situação de emergência devido à seca. O Rio Doce chegou ao nível crítico de 7 centímetros. O nível considerado normal é de 1,20 metro.

O diretor do Serviço Colatinense de Meio Ambiente e Saneamento Ambiental (Sanear) Antonio Demuner explica que a captação está no limite, e está sendo feita através de bombas flutuantes. A balsa leva a bomba aos locais onde é possível fazer a captação. Para o diretor, só mesmo uma boa chuva para aliviar essa seca no município.
O diretor do Sanear disse que a previsão é de que até 12 de outubro chova no município e amenize a situação da seca no Rio Doce. “Caso não chova, ainda será estudada uma maneira para racionar água”, afirmou Demuner.
Na última quinta-feira (1) cabos de cobre das bombas de captação de Colatina foram furtados o que prejudicou o abastecimento no município. Demuner disse que os cabos já foram substituídos e o problema de abastecimento resolvido.
Para Demoner, a situação poderia estar pior, se não fosse a conscientização da população. Segundo ele, hoje o município tem seu abastecimento normalizado devido à redução do consumo de água em pelo menos 30%. “A população colaborou muito e a gente espera que continue assim”.
Interior
No interior de Colatina a prefeitura decretou situação de emergência por causa da falta de chuvas. O córrego São João Pequeno está completamente seco e mais de 400 propriedades da região estão sendo prejudicadas.
Sem a chuva, a vegetação da região está completamente seca. E, enquanto não chove, foi firmado um acordo entre os produtores rurais e o Ministério Público para disciplinar o uso da água, principalmente nas cabeceiras.
Previsão de água sem sal em São Mateus nesta terça-feira (6)
Moradores estavam sem água em alguns bairros

Em São Mateus, Norte do Estado, a previsão é de que hoje a água chegue sem sal às torneiras dos moradores do município. Neste fim de semana os moradores receberam água com sal em suas casas. Isso aconteceu porque o nível do Rio Cricaré, onde é feita a captação, estava muito baixo e a água do mar invadiu o ponto de captação, deixando a água com alto índice de sal.

O diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) Luiz Carlos Sossai disse que a previsão é de que o mar recue hoje e assim a água do rio volte a se normalizar. Segundo Sossai, o mar chegou a 1,30m em relação ao rio, e o normal é de que fique em 40 cm.
“Mas a situação ainda é crítica se não chover. Há locais com bastante água: próximo ao bairro Porto o Rio Cricaré chega a 4 metros, mas na nascente tem pouca água, tem lugares que tem só um poço. Tínhamos previsão de chuva hoje (ontem), mas só está caindo uma garoa”, afirmou.
Os bairros da cidade que ainda estavam sem abastecimento de água ontem eram: Morada do Lago, Aroeira, Bom Sucesso, Ayrton Senna, Vitória, Seac, Parque Washington, Areinha e Rio Preto.
Conforme o diretor do Saae, o abastecimento deve estar normalizado hoje. Porém, ainda tem previsão de maré alta para o dia 20 de outubro, segundo o diretor. O que significa que pode voltar a ter água salgada nas torneiras de novo.
Itaguaçu não cumpre decreto por falta de água
Em Itaguaçu, Noroeste do Estado, a situação de seca está bem preocupante. O Rio Santa Joana, que abastece o município, está praticamente seco, e o decreto de abastecimento, das 6h às 18h, determinado pela prefeitura, não está sendo cumprido por falta de água bruta para tratamento.
O diretor do Saae João Carlos Tietz disse que o município está sobrevivendo de usar água de poços artesianos. “Estamos tentando manejar a água. Onde a gente consegue puxar a água, a gente puxa e trata. Temos um decreto para abastecimento, mas não estamos conseguindo cumprir por falta de água bruta”, declarou.
Tietz explica que no município existem três bombas com capacidade de tratar 60 litros de água por segundo. Porém, como não há água no rio, só uma bomba está em funcionamento e tratando 23 litros por segundo apenas.
“A água que a gente trata é colocada no reservatório, que tem 1 milhão de litros. Depois, ela é liberada para as casas. Só assim para chegar água a todos os bairros. Esta quantidade abastece o município durante 4 a 5 horas só. Depois, temos que encher novamente o reservatório”, afirmou o diretor do Saae.
Fonte: Gazeta Online

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