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SERRA-ES
25 fevereiro 2021

Justiça será acionada para retirar moradores de área de risco em Vila Velha

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A Prefeitura de Vila Velha quer acionar o Juizado da Infância e Juventude para conseguir fazer a retirada compulsória das crianças que moram na área de risco do Morro Boa Vista, em São Torquato. O município quer o aval da Justiça pois muitas famílias que moram no chamado “Polígono de Risco” resistem em deixar suas casas.
“Eu mesmo, conversei com muitas famílias e elas me disseram que não vão sair. Se os adultos a gente não tem como forçar, pelo menos as crianças queremos retirar”, justificou o prefeito Rodney Miranda.
O Morro Boa Vista foi atingido por uma avalanche de pedras na noite da última sexta-feira, depois que uma rocha de 3 mil toneladas se desprendeu do alto do morro e rolou por mais de 200 metros destruindo tudo o que encontrava pela frente. Na ocasião, pelo menos cinco pessoas ficaram feridas e outros 10 moradores sofreram escoriações leves.
Apesar da enorme resistência das famílias em deixarem suas casas, muitas alegando medo de saques, até o início da noite de ontem 1.262 pessoas já haviam deixado suas casas – um total de 377 famílias -, segundo levantamento das equipes da prefeitura.
Desse total, 37 famílias (92 pessoas) estão abrigadas na escola pública Juiz Jairo de Mattos Pereira, e terão prioridade no recebimento do aluguel social. Os demais desalojados procuraram ajuda na casa de amigos e parentes, ou receberam acolhimento de igrejas da região.
“Estamos fazendo a triagem dessas famílias. Para as desabrigadas já estamos providenciando o aluguel social. Mas essa é um situação provisória. Queremos que logo essas pessoas possam voltar para as suas residências”, ponderou o prefeito.
Durante todo o dia de ontem, equipes de assistência social percorriam o morro, casa por casa, na tentativa de convencer as famílias mais resistentes a deixarem as áreas de risco. O prefeito, acompanhado de geólogos e especialistas em desastres urbanos, também fez várias rondas no bairro, por terra e pelo ar.
No início da tarde, Miranda se reuniu com líderes comunitários e moradores para esclarecer dúvidas e apresentar os próximos passos que serão dados pela prefeitura. Disse que policiamento foi reforçado na região para diminuir saques. “Estamos atendendo pedidos de ajuda para fazer mudanças, tentando minimizar ao máximo as perdas das pessoas”, explicou.
Contenção será feita em pedra de 10 mil toneladas no alto do morro e que pode cair
Uma pedra de pelo menos 10 mil toneladas, que estava ligada a primeira rocha que se soltou, precisa ser escorada pois também corre o risco de rolar. Os geólogos temem que, caso ela se desprenda, leve junto um conjunto rochoso fixado no topo da montanha.
De acordo com o prefeito Rodney Miranda, essa será apenas uma das intervenções que começarão a ser feitas no Morro Boa Vista a partir da tarde de hoje ou, no mais tardar, até amanhã. Uma empresa do Rio de Janeiro especialista em desastres deve chegar hoje a Vila Velha para dar suporte aos técnicos da prefeitura.
“Fizemos sobrevoos e todas as pedras foram mapeadas. Para cada uma teremos uma solução. Vamos começar fazendo o desmanche de algumas pedras mais perigosas, não tão grandes, e reforçando outras estruturas”, explicou o prefeito.
Uma das obras será realizada no trecho de mais de 200 metros por onde rolou a pedra de 3 mil toneladas. No local será realizada a contenção de algumas pedras e outras serão retiradas. Também será preciso fazer uma intervenção de drenagem do local, para que as chuvas não provoquem novos deslizamentos das pedras que ficaram soltas no caminho da rocha maior.
Já a pedra que provocou a destruição das casas e o ferimento de moradores deve ser cortada em várias partes, e essas fatias vão ser usadas para fazer uma barreira de contenção no local. Toda área no entorno dessa rocha já foi evacuada e a prefeitura afirma que, logo após as obras de contenção, as famílias poderão voltar para suas casas. “Queremos minimizar ou acabar com o risco para que as pessoas possam voltar o mais rápido para suas residências”, completou Miranda.
A prefeitura, no entanto, não deu uma estimativa sobre o valor da obra nem o tempo previsto para a intervenção terminar. Durante as reuniões das equipes técnicas realizadas ontem, várias hipóteses para a tragédia foram levantadas, mas predominou a suspeita de que o deslizamento ocorreu fruto da ação natural do tempo.
O prefeito disse que foi aberta uma auditoria interna para apurar se algum relatório público havia apontado, com antecedência, que havia risco da pedra rolar.
Fonte: Gazeta Online

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