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SERRA-ES
26 fevereiro 2021

Jardim Camburi apresenta alto risco de dengue e zika vírus

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A cada 100 domicílios de Jardim Camburi, em Vitória, cerca de quatro ou cinco possuem focos do mosquito Aedes aegypiti, transmissor da dengue e da febre zika. O índice de 4,5% de infestação, obtido através de um levantamento amostral feito pela prefeitura no final de outubro, indica que o bairro é o único da capital com alto risco de transmissão de ambas as doenças.
Para a coordenadora técnica de Vigilância em Saúde da prefeitura de Vitória, Clara Scarpatti, o resultado indica que a população deve estar alerta, já que 60% dos focos encontrados no bairro encontravam-se em depósitos fixos, como ralos de cozinhas e banheiros, calhas e canaletas, que não são removidos com frequência.
“Durante esse período não tivemos muitas chuvas que beneficiam a proliferação. Esse é mais um motivo que comprova que os principais criadouros estão dentro das casas”, pontua.
Com exceção dos bairros Resistência, Nova Palestina, Redenção, Grande Vitória, Universitário, Estrelinha, Inhanguetá, Bela Vista e Santo Antônio – que apresentaram baixo índice de infestação – o Levantamento Rápido de Infestação do Mosquito Aedes Aegypit (LIRAa), mostra que todos os demais bairros da cidade possuem risco médio de transmissão dos vírus, isto é, com nível de infestação entre 1% e 3,9%.
De acordo com a Secretária de Estado de Saúde (Sesa), três casos de febre zika foram confirmados no Espírito Santo, enquanto outros 77 estão sob suspeita. Para Clara, o surgimento da nova doença representa uma preocupação a mais. No entanto, ela faz uma ressalva.
“Apesar do alto índice de infestação, Jardim Camburi não é um local onde tem ocorrido o zika. A notificação de casos tem se mostrado mais presente em bairros como Maruípe, Bairro da Penha, Itararé e Bonfim, de acordo com os relatórios da vigilância epidemiológica”.
O presidente da Associação Comunitária de Jardim Camburi, Anael Parente, recebeu a notícia com preocupação. “Vamos buscar a unidade de saúde e propor ações junto com o poder público para iniciar campanhas de conscientização”, disse.
Já para o médico infectologista Paulo Mendes Peçanha, se comparados aos números da dengue, os casos suspeitos de zika ainda são poucos. Mas, devido à possível relação da doença com quadros de microcefalia em bebês, é preciso atenção, em especial com mulheres em idade fértil. “Precisamos ficar vigilantes em relação aos criadouros do mosquito, não se pode descuidar mesmo no período seco”.
Doença pode estar ligada à microcefalia
O Ministério da Saúde informou na terça-feira, dia 17, que os casos de contaminação por zika registrados no primeiro semestre deste ano são a principal hipótese para explicar o aumento da ocorrência de microcefalia na região Nordeste.
Até agora, 399 casos da doença foram registrados em sete Estados: Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Ceará, Bahia e Pernambuco. Somente neste último, o número já chega a 268. Na Paraíba, exames confirmaram a presença do vírus zika no líquido amniótico de duas grávidas, cujos fetos foram diagnosticados com a microcefalia.
Segundo a Secretária de Saúde do Espírito Santo (Sesa), não houve nenhum caso de microcefalia esse ano. Mas, para o especialista em medicina fetal Coridon Franco da Costa, o Estado não está livre desse risco caso haja uma epidemia. A microcefalia é uma má-formação congênita em que os bebês nascem com crânio e cérebro menor que o normal e, segundo Coridon, pode provocar não só retardo mental, como afetar o desenvolimento neurológico da criança como um todo. A incidência comum da doença é de um caso para oito mil gestações.
“Os especialistas rastrearam a relação entre os casos, que era exatamente o fato de a mãe ter tido o zika vírus durante os três primeiros meses da gravidez. O único modo de tratarmos a doença é impedindo que as mães se contaminem, evitando locais onde o mosquito se prolifere, combatendo os focos e usando repelentes”, aconselha o médico.
Secretaria de Saúde diz que situação preocupa
Com três casos de zika vírus confirmados no Espírito Santo e outros 77 sendo investigados, a preocupação da Secretária de Esatdo da Saúde (Sesa) é que os registros da doença cresçam ainda mais.
“O que a gente acredita é que vá aumentar muito o número de casos de zika, considerando que temos a presença do vetor amplamente distribuída no Estado. À medida que os profissionais de saúde estiverem mais sensíveis para perceber que atendem casos de zika e começarem a registrtar isso, esses números tendem a aumentar”, explica a gerente de Vigilância em Saúde da Sesa, Gilsa Rodrigues, que classifica a situação como “bastante preocupante”.
Dos três pacientes com a doença, dois moram em Vitória (em jesus de Nazareth e Maria Ortiz) e um em Barramares, Vila Velha. Gilsa garante que o Estado permanece em alerta. “Iniciamos na segunda-feira (16) um mutirão de capacitação para médicos e enfermeiros sobre manejo clínico de dengue, chikungunya e zika vírus. Serão 32 turmas distribuídas na região metropolitaba e no interior”, informa.
Fonte: Gazeta Online

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